segunda-feira, 7 de julho de 2008

Não é de hoje que os quadrinhos inspiram o cinema. Não só pela onda crescente de adaptações, mas principalmente pela semelhança no uso de texto e imagens, narrativa sequencial dinâmica e estática.
Durante a década de 40 e 50, as criações das editoras Marvel e DC eram exibidas nos cinemas como séries. Este formato migrou para a TV anos depois, com os sucessos Batman (1966) e Incrível Hulk (1977). A partir da década de 1990 as produções se intensificam com a entrada de outras editoras nesse novo mercado.

O século XXI trouxe a grande explosão de adaptações de Quadrinhos para o Cinema, X-Man (2000), Hulk (2003), O Demolidor (2003), Mulher Gato (2004), O Quarteto Fantástico (2005), entre outros. Mas não é sempre que uma produção baseada nas história em quadrinhos faz sucesso. Muitos fãs ,que acompanham as histórias desde criancinhas, se dizem insatisfeitos com algumas produções, alegando que o filme não foi fiel a história e deixou muito a desejar.

Por outro lado, muitas destas adaptações se tornam verdadeiros sucessos de bilheteria, atraindo para o cinema o público dos quadrinhos. Hellboy parece ser um destes grandes fenômenos de bilheteria. O primeiro filme, em 2004, foi dirigido por Guillermo del Toro (Blade 2) e conta com Ron Perlman, John Hurt e Selma Blair no elenco. Trata-se da história de um garoto que é salvo dos nazistas em meio a um ritual de magia negra, que fez com que ganhasse a aparência de um demônio. Quinze anos depois, ele precisa investigar um estranho fenômeno.

Em "Hellboy 2", Del Toro manteve a sua predileção por não recorrer à computação gráfica para criar seus personagens fabulosos.
Hellboy 2: O Exército Dourado
Resumo:
“Depois de uma antiga trégua entre a humanidade e o reino fantástico invisível ser quebrada, o inferno na Terra está pronto a rebentar. Um líder cruel que caminha em ambos os mundos desafia a sua linhagem de sangue e desperta um incontrolável exército de criaturas. Agora cabe ao herói mais duro do planeta lutar com o ditador e os seus aniquiladores. Ele pode ser vermelho. Ele pode ser cornudo. Ele pode ser incompreendido. Mas quando alguém precisa de um trabalho bem feito, é hora de chamar Hellboy. Ao lado da crescente equipa do Bureau de Pesquisas e Defesas do Paranormal - a namorada piro cinética Liz, o aquático Abe e o místico protoplasmático Johann - ele viajará pela superfície e pelo mundo mágico, onde criaturas de fantasia ganham vida. E Hellboy, uma criatura de dois mundos que não é aceite em nenhum deles, deverá escolher entre a vida que conhece e o destino desconhecido que acena para ele.”





Site Oficial: http://www.sonypictures.com/homevideo/hellboy/

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Editoria Teatro/Segunda Matéria/Link interno novas peças absurdas

Na primeira página tem um link que vem para essa p/ mostrar as novas peças desse gênero

Os novos Absurdos

O Longo Caminho















Público e personagens sonham juntos em O Longo Caminho, o teatro do absurdo do Grupo Delírio Cia. de Teatro. A peça traz os personagens Ogre e Magri, dois clowns distraídos, e suas reflexões sobre os mistérios da vida.

É um espetáculo em que começo, meio e fim não existe. Uma história não-linear, dotada de um enredo livre e poético. As idéias que trilham o caminho dos dois protagonistas são baseadas em grandes nomes da literatura universal, como Julio Cortazar, Lewis Carrol, Oscar Wilde, Franz Kafka e Clarice Lispector. Todos estes possuem em comum uma linguagem surrealista. O sonho é levado para o palco.

Um espetáculo em que o não-convencional predomina. Um excesso de subjetividade que, no entanto, abre diversas possibilidades de compreensão para o público. Com esquetes que mudam de significado de acordo com quem assiste a elas. Este é O Longo Caminho. É o teatro do absurdo.


Bolacha Maria, Um Punhado de Neve Que Restou da Tempestade













Situações cotidianas onde os personagens contam histórias banais que vão se unindo uma a outra é o tema central da peça Bolacha Maria - um punhado de neve que restou da tempestade. A montagem da Armadilha Cia. de Teatro, é baseada no texto do jornalista Manoel Carlos Karam. Segundo a diretora Nadja Naira, responsável pelo espetáculo, a nova montagem tem elementos do teatro do absurdo e do teatro lírico, levando o espectador a mergulhar em casos curiosos. O elenco é formado por Alan Raffo, Alexandre Nero, Sol Faganello, Tatiana Blum e Diego Fortes, que além de atuar é diretor da companhia.


O Céu Cinco Minutos Antes da Tempestade










A influência de Beckett, ícone do teatro do absurdo, pode ser percebida em O Céu Cinco Minutos antes da Tempestade,de Silvia Gomez. A peça foge da narrativa linear. E por meio da relação entre os membros de uma família, o texto também acaba abordando questões sociais. Em cena, aparecem Denise, a filha dopada pela própria mãe enfermeira; Isabel, a mãe que prefere manter Denise inconsciente enquanto espera a volta do marido; Artur, o pai que abandonou a família e se faz presente apenas por meio de cartas. Um quarto personagem, mascarado, funciona como uma espécie de condutor que guia as ações de todos.

Fragments
















Composto por textos curtos de Beckett, Fragments, o novo espetáculo da companhia do diretor inglês Peter Brook, considerado um dos principais encenadores do século XX, é uma colcha de retalhos. A companhia traz "Rockaby" (sobre a solidão de uma mulher), "Rough for theatre I" (com a relação entre um cego e um homem numa cadeira de rodas), "Act without words II" (sobre a rotina diária de trabalho), "Come and go" (com as fofocas trocadas por três idosas) e "Neither" (adaptação de um libreto de ópera).

A busca por simplicidade fez Peter Brook utilizar apenas três atores durante a peça, além de criar movimentos um tanto minimalistas, num clima de cinema mudo, como em "Act without words II". Brook - que de Beckett já montou "Dias felizes", em 1995 - também dá mais humor ao autor em Fragments. Lá ainda estão os sinais da melancolia de Beckett, mas Brook tenta distanciar o dramaturgo irlandês dos rótulos de pessimista e negativo que lhe são comumente atribuídos.


Idiota no País dos Absurdos

De George Bernard Shaw, adaptação e direção de Domingo Nunes. Com Hélio Cicero, Eliseu Paranhos, Priscila Jorge e outros. No texto, filiado a estética do teatro do absurdo, o dramaturgo irlandês conta a história do pastor de uma igreja que participa de estranhas experiências sexuais que envolvem perversões, incestos e pedofilia para criar uma raça supostamente perfeita. A obra, nunca antes traduzida para o português, é estruturada na forma de comédia absurda. A peça apresenta semelhanças com o Brasil, algo buscado pelo grupo. Nesta obra Shaw aplica sua noção de narrativa sem enredo, estruturada sem lógica aparente.


Veja também:


O Processo


O Processo,adaptação do romance homônimo de Franz Kafka. Direção e adaptação de José Henrique. Com Tuca Andrada e outros. A peça permanece atual e dialoga com o cenário sociopolítico do país. Tuca Andrada vive Josef K., um alto executivo absorvido pela burocracia que, ao acordar, descobre que está preso e sendo processado. Em cena, Josef K. percorre o labirinto, onde encontra 50 personagens interpretados pelos nove atores que completam o elenco. Os arquivos viram elemento cênico, pois os personagens são criados a partir de adereços tirados de lá, como chapéus, luvas e laços.Na montagem, o diretor tenta valorizar o humor, mas apesar de Kafka ter sido um judeu bem-humorado, o lado pesado não pode deixar de existir, já que seus personagens vão se tornando estranhos.


Editoria Teatro/Segunda Matéria/Link interno vídeo fala do Vladimir

Editoria Teatro/Segunda Matéria/Link interno Godot

Tem um link na primeira página que vai para essa

Uma espera absurda










Vladimir e Estragon

Assista a um trecho da fala de Vladimir

Esperando Godot, conta a história de dois personagens que esperam ansiosos por ajuda numa terra onde nada acontece de inovador, onde tudo se repete sem cessar, obrigando os angustiados personagens a tentar iludir a tristeza e frustração. Esse texto traduz perfeitamente a essência do Absurdo, sendo Beckett uma pessoa que, desde jovem manifestava seu dom à rebeldia, além de ser um homem adepto à revolução dos costumes.

Escrita entre o período de outubro de 1948 e janeiro de 1949, após a Segunda Grande Guerra, a peça foi inicialmente incompreendida pelo público. Não agüentavam olhar dois atores representando os vagabundos Vladimir e Estragon que só sabiam falar que não podiam ir embora antes do Sr. Godot chegar. O próprio diretor Roger Blin, que a montou pela primeira vez na França, no mitológico Teatro Babilônia, confessou não tê-la entendido na primeira leitura.

Na peça aparecem mais dois personagens: Pozzo e Lucky. Lucky é um escravo de Pozzo, ele está numa coleira e é mandado, mas não é um cachorro, é um homem, e é mais inteligente que Pozzo. Os dois apenas passam por onde Vladimir e Estragon estavam esperando Godot. Porém, no outro dia Pozzo volta cego, e não se lembra de tê-los conhecido.

Esperando Godot é um dos textos teatrais mais instigantes e perturbadores já escritos. O mote, aparentemente banal e bobo, provou ao longo das décadas ser genial. Mas o que pode ser tão genial em uma peça em que se tem apenas quatro personagens, e cujo cenário apresenta só uma árvore em frangalhos? Nada, diria o leitor menos atento.

Ninguém é avisado de quem seja o Sr. Godot. Nem mesmo Vladimir e Estragon sabem ao certo quem é o tal visitante, mas o esperam com empenho. Mas quem é Godot? Todos querem imediatamente saber. Muitos supõem que a peça trata do desespero do homem diante da morte anunciada; outros delegam ao texto um caráter religioso, no qual os personagens estão, na verdade, à espera de uma divindade que virá salvá-los – Godot seria uma corruptela da palavra God (Deus em inglês).


Pozzo segura Lucky pela coleira


Editoria Teatro/Segunda Matéria

Essa é a primeira página da matéria

Entre o social e o surreal

Por Cris de Oliveira

Uma tendência teatral portadora de uma expressividade inovadora, o teatro do absurdo procurava utilizar elementos chocantes do ilógico, propondo uma reflexão a respeito do absurdo panorama político da Europa pós Segunda Guerra Mund
ial.

Encenação de “Esperando Godot”, de Samuel Beckett.

















O trabalho de desconstrução textual pode ser considerado uma tentativa de redução de um texto a um estado ad absurdum, pela revelação das suas contradições internas e impossibilidades lógicas. As personagens da ficção de Kafka, por exemplo, vivem muito desta condição de absurdidade, pois são empurradas para situações incompreensíveis das quais não se vislumbra nenhuma saída. Este tipo de situação tem sido explorado de forma singular no drama contemporâneo, sobretudo a partir do teatro de Beckett, constituindo inclusive um gênero autônomo conhecido por Teatro do Absurdo.

O Teatro do Absurdo despontou na França, inserido no contexto de uma Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial. Esse gênero se propôs a revelar o inusitado, mostrando as mazelas humanas e tudo que é considerado normal pela sociedade hipócrita. Extremamente existencialista, o Absurdo critica a falta de criatividade do homem, que condiciona toda a sua vida àquilo que julga ser o mais fácil e menos perigoso, se negando a ousar, utilizando-se de desculpa para justificar uma vida medíocre.





Samuel Beckett
A principal fonte de inspiração dos dramas absurdos era a burguesia ocidental, que, segundo os teóricos do Absurdo, se distanciava cada vez mais do mundo real, por causa de suas fantasias e ceticismo em relação às conseqüências desastrosas que causava ao resto da sociedade. Um dos autores de vanguarda do Teatro do Absurdo é Samuel Beckett autor do clássico Esperando Godot, e que ganhou o Prêmio Nobel em 1969. O Absurdo, assim como o Dadaísmo, promoveu a revolução na linguagem e na ideologia da sociedade, obtendo muitas críticas de um público que, apesar de proletário, consumia o idealismo burguês da época.

Eugene Ionesco











O termo "Teatro do Absurdo" foi criado pelo crítico norte-americano Martin Esslin, procurando agrupar sobre um mesmo conceito obras de dramaturgos com características bastante destoantes, mas que compartilhavam essa maneira "absurda" de abordar os temas em sua obra. O Teatro do Absurdo, porém, não foi uma escola, não havia uma filosofia coerente que os unificasse. Eugene Ionesco, um dos principais representantes dessa dramaturgia afirmaria que talvez preferisse designar seu trabalho como “teatro do ridículo”, ou “teatro da ridicularizarão”, reafirmando o caráter humorístico que permeia seu trabalho.

O teatro nonsense, ou o absolutamente sem-sentido é freqüentemente confundido com o absurdo, porém na essência eles divergem, pois o sem-sentido não possui uma gramática, isto é, não tem leis naturais de significação, ao passo que o absurdo é apenas visto como uma parte especial do que tem sentido, sendo por isso sinônimo de contra-senso. Sendo este tudo o que é contrário ao bom-senso, portanto, tudo o que imobiliza o senso comum.

Link: Leia a entrevista com a coordenadora do projeto “Espaço de Estudo e Criação Cênica”, Nanci de Freitas, sobre Teatro do Absurdo

Link: Conheça e assista a um trecho da peça precursora do Absurdo Esperando Godot

Link: Conheça as mais novas peças do gênero Absurdo

Entrevista com a professora de Artes Cênicas Nanci de Freitas

Nanci de Freitas é professora de Artes Cênicas do Instituto de Artes da Uerj, e coordenadora do projeto: “Espaço de Estudo e Criação Cênica”.

Por Cris de Oliveira

1) Qual a sua opinião sobre o Teatro do Absurdo?

NF: É uma tendência que foge à dramaturgia comum, mas é também uma denominação polêmica. Há muita controvérsia a respeito do Teatro do Absurdo, pois são vários autores muito diferentes, com estilos próprios, que foram agrupados sob a égide do absurdo, por falta de uma outra classificação mais adequada para cada um.

2) Mas esse teatro teve também um papel social. Você acha que esse papel vem sendo explorado pelo teatro atual?

NF: Sim, claro que teve. Acho que esse papel foi incorporado aos demais estilos teatrais. O teatro do absurdo se transformou em clássicos do teatro moderno como a peça Ubu Rei de Alfred Jarry e O Rinoceronte de Eugene Ionesco. O teatro contemporâneo trabalha muito com a desconstrução, e isso foi herança do absurdo. Desconstruir as coisas, mudar de lugar, para ver como funciona, para causar um estranhamento na platéia, e provocar uma reflexão. Em O Rinoceronte, por exemplo, os habitantes de uma cidade vão se transformando em rinocerontes, mas existe um personagem que se recusa a se tornar um rinoceronte, se recusa a ser infectado pela mediocridade, enquanto os outros transitam em paz se achando os seres mais lindos e inteligentes do mundo. Acho que o teatro moderno tem muito dessa noção, dessa postura da peça do Ionesco.

3) As atuais encenações das peças de Beckett e Ionesco ainda possuem a essência das originais?

NF: Bom, eu acho que elas vão ganhando sentido de acordo com o momento. Há várias interpretações dessas peças, e a forma como cada um a vê depende do contexto no qual se está inserido. Posso dizer que elas vão sendo renovadas.

4) Franz Kafka não faz parte do estilo absurdo de teatro, no entanto, seus personagens também vivem situações incompreensíveis. O que o distingue do teatro do absurdo?

NF: O teatro de Kafka tem características do absurdo, mas devemos entender que o teatro do absurdo não foi um movimento como foi o surrealismo e o dadaísmo, é apenas uma tendência teatral que ocorreu em um determinado momento. Além disso, o teatro do absurdo está associado à dramaturgia, aos dramaturgos, e Kafka foi um romancista. Mesmo assim, já vi teóricos o enquadrarem no teatro do absurdo. Houve várias tendências absurdas em todo o mundo, e mesmo muito antes do “surgimento” desse tipo de teatro. Aqui no Brasil, Oswald de Andrade na peça “A Morta”, já fazia teatro do absurdo. O gaúcho Qorpo Santo, em pleno século XIX, e que nunca saiu de sua província, é considerado o precursor do teatro do absurdo que foi nascer em meados do século XX na França. Então, você vê que foi uma tendência que foi surgindo, pipocando em vários lugares.

5) Quais as melhores peças atuais que possuem influência do Teatro do Absurdo?

NF: Acho que eu não saberia te dizer...O absurdo está disseminado de uma forma geral no teatro moderno, há uma polissemia absurda, não está mais só focada no texto. Mas acho que o Gerald Thomas faz bem esse estilo, ele trabalha muito com a desconstrução da cena nacional e da linguagem também.

6) Esse tipo de teatro nasceu em um contexto social em que a burguesia ocidental era o principal alvo de crítica. Hoje qual seria o maior absurdo das relações sociais?

NF: Os grandes paradoxos da sociedade de consumo e a mídia. Principalmente a mídia, pois temos aí uma sociedade que é controlada pela mídia, é o principal controle social que a gente tem hoje. A mídia é um absurdo! O teatro da vertigem já faz um pouco isso de contestar a cena social, como acontece em “Apocalipse 1,11”.

7) E para você? Qual seria a verdadeira função do teatro?

NF: A palavra teatro vem do grego ir para ver. Então, acho que é isso, a possibilidade de ter um contato direto, quase físico com a platéia. E nesse mundo virtual que a gente tem hoje, o teatro ainda continua sendo um lugar privilegiado. O impacto é maior, pois você está ali naquele exato momento em que tudo está acontecendo, o que possibilita uma maior reflexão, a crítica tem um maior impacto também. É maravilhoso!

8) Qual o estilo predominante no teatro brasileiro atual?

NF: No mercado brasileiro, do que temos 80% é comédia, principalmente a comédia de costumes. Comédia é o que mais atrai, sem dúvida, até mesmo pelas características do brasileiro, do nosso jeito de ser. Mas temos os clássicos musicais também, como “Ópera do malandro” e Carmem Miranda, e mais recentemente os importados. Um estilo que vem despontando é o teatro experimental.

9) Qual a contribuição do teatro do absurdo para o atual estilo do teatro brasileiro?

NF: A mistura de linguagem do teatro brasileiro é um pouco absurda. E na própria comédia de costumes, que é uma revisitação do besteirol dos anos 80, há muitas situações absurdas que surgiram a partir do estilo de teatro do absurdo.


segunda-feira, 30 de junho de 2008

Entrevista com Sonia Bibe Luyten (pesquisadora de quadrinhos)

FALTA EU ESCREVER UMA INTRODUÇÃO E REVISAR MELHOR O TEXTO (TÁ LONGO, MEIO FORA DE ORDEM, E ACHO QUE CORTAREI ALGUMAS PARTES)

Porque os quadrinhos japoneses fazem tanto sucesso no Brasil?
Havia uma falta de quadrinhos para jovens aqui no Brasil. E o mangá chegou aqui para ocupar esse espaço. Não há uma "invasão", como alguns dizem, a cadeira estava lá vazia!

Quando surgiu o seu interesse por mangás?
Eu sempre gostei de HQs, primeiro como leitora, depois como pesquisadora. Primeiramente, o cheguei aos mangás pela curiosidade ao tomar conta da grandiosidade daquele mercado. Eu achava aqueles desenhos fantásticos. Descobri que, justamente naquela época, na década de 60, o Japão vivia um boom da indústria editorial japonesa que coincidia com a ascensão da economia local, que tava florescendo. Depois, eu larguei os mangás por uns tempos, porque ninguém queria me orientar na minha monografia sobre quadrinhos japoneses. Mas para o meu doutoramento eu coloquei pé-firme.

O mangá é uma porta de entrada para cultura japonesa?
Sem sombras de dúvidas. O leitor de HQs européias, geralmente, não está interessado no pais de origem. Mas o leitor de mangás têm a preocupacao de estudar a língua e a cultura japonesa, para poder entender toda a simbologia, gestualidade tão presente naquelas histórias.

A produção editoral de mangás é muito concentrada em Tóquio?
As grandes editoras só estão em Tóquio. Estão surgindo várias editoras independentes em Osaka, causando dois pólos fortes e rivais. O que me impressiona é que o Japão tem um sistema de distribuição muito bom, o que é falho no Brasil. Mas os mangás fazem sucesso em todo o Japão, com uma produção praticamente 100% nacional.

O que acha dos quadrinhos nacionais que se espelham no mangá?
Tem gente que faz muita porcaria, mas tem gente que está pensando em conteúdo legal. Eu sou a favor de uma produção nacional, por que não, mas com conteúdo. E tudo isso começa com os fanzine. É o tubo de ensaio para poder chegar numa livraria ou banca. Mas não adianta competir com o Japão, Não adianta falar em Neo Tóquio, porque o Otomo já fez com Akira. Se você gosta do traço, quer manter o estilo, então faça isso para o público brasileiro. Isso tem naquele livro Mangá Tropical, foi uma tentativa legal de fazer algo em estilo mangá, com conteúdo brasileiro: enredos situados em cidades brasileiras, histórias brasileiras. Com bom enredo, ele tem caminho.
O que acha do recente interesse de Hollywood em adaptar mangás para o cinema, como Speed Racer e Dragon Ball?
Eu acho que é oportunismo. Eu gostava do Speed Racer e estou até curiosa para ver o filme. Mas acho que Hollywood se sentiu ameaçado com os mangás. "Se não dá para combate-los, vamos nos unir". Tem gente que nem sabe que Speed Racer é criação japonesa. Vai no cinema e pensa que é americano.

Quais histórias em quadrinhos você está lendo atualmente?
Eu leio de tudo um pouco, como pesquisadora, para ver o que está acontecendo. Não tenho preferências especificas, mas acontece de através de pesquisas conseguir aliar entretenimento. Recentemente, em uma revista japonesa sobre moda, li uma matéria sobre o mangá Nana. Desde então eu ando lendo esse mangá, é muito bom.

Os japoneses desenvolveram o seu próprio estilo de quadrinhos observando o que era feito principalmente nos Estados Unidos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Essa antropofagia ainda é percebida nos quadrinhos japonees?
Sim, os japoneses sempre se apropriaram das coisas. Vê-se isso na tecnologia, por exemplo. Eles não são de inventar, são de aperfeiçoar as coisas, e foi assim com as histórias em quadrinhos. Com a populariedade dos mangás no exterior, há artistas que viajam para a Europa e voltam com influências de lá.

Com o sucesso em todo o mundo, os quadrinhos produzidos no Japão sofreram alguma mudança?
Eu não sei até que pontos eles pensam no mercado de fora ao fazer quadrinhos, mas na hora que ficar assim começará a perder a graça.

É comum garotos lerem quadrinhos reservados para garotas e vice-versa no Japão, como pode ser visto no Brasil?
Sim, claro. Hoje já há até mulheres desenhistas, como as do grupo CLAMP, que passam a publicar em revistas masculinas.

domingo, 29 de junho de 2008

Editoria: Cinema

Cursos de Graduação em Cinema no Brasil

Crescimento do mercado cinematográfico brasileiro impulsiona a criação de novos cursos em Cinema.

Por Cristina Gusmão


O sucesso do longa-metragem "Tropa de Elite", do diretor José Padilha, premiado com o Urso de Ouro (melhor filme) no festival de Berlim é um dos exemplos do reconhecimento internacional do cinema brasileiro. Mas quem gosta de cinema não imagina as dificuldades dos cineastas e produtores, na realização de seus filmes. Além da falta de verbas, as produções cinematográficas brasileiras encontram grande dificuldade na falta de recursos para a realização de novos filmes. Apesar disso, o cinema brasileiro existe e demonstra capacidade de produção e criatividade. Grandes talentos, ótimos profissionais e excelentes histórias demonstram que o cinema brasileiro é muito rico em criatividade e faz sucesso dentro e fora do país.

Com a criação da Ancine (Agência Nacional de Cinema), no governo de Fernando Henrique Cardoso, e a lei do audiovisual, outorgada pelo ex-presidente Itamar Franco (1991-1992), houve uma retomada do cinema brasileiro. Desde 1993 o número de longas-metragens subiu para uma média de 20 produções por ano. Sucessos como Central do Brasil, Bicho de Sete Cabeças, Latitude Zero,Tropa de Elite entre outros, comprovam a existência de um reconhecimento internacional e um mercado externo favorável para os filmes nacionais.

Com todo esse avanço, especialistas afirmam que o Brasil tem grandes chances de se tornar um pólo de cinema. É evidente que não podemos fazer qualquer tipo de comparação com a indústria cinematográfica norte-americana, porém, na América Latina, ao lado da Argentina e do México, essa é uma possibilidade que começa a ser vislumbrada. Os inúmeros festivais e premiações que o Brasil têm participado, demonstram que o cinema brasileiro está caminhando para se tornar referência no mercado latino-americano.

De olho nesta ampliação do mercado cinematográfico brasileiro, cursos e universidades de todo o país estão investindo na formação em Cinema. Em São Paulo temos a FAAP - Fundação Armando Álvares Pentado; a Universidade Anhembi Morumbi; a Universidade Metodista de São Paulo; o CEUNSP – Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio, entre outros. Já no Rio de Janeiro,temos a Universidade Estácio de Sá, A UFF - Universidade Federal Fluminense e a PUC - Pontifícia Universidade Católica.

Em outros estados destacam-se: a FTC, na Bahia; a UNA - Centro Universitário, em Minas Gerais; a FAP - Faculdade de Artes do Paraná; a Unisul e a UFSC, em Santa Catarina; a Maurício de Nassau, em Pernanbuco e a UFPEL - Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

Algumas universidades já possuíam a graduação em cinema, outras implantaram cursos mais tecnológicos na área, como a Estácio de Sá, que recentemente criou os cursos de produção audiovisual, produção cênica e o curso de autor e roteirista. Segundo a Universidade, a indústria cinematográfica e audiovisual no Brasil se encontra em plena expansão e transformação. Torna-se, portanto, fundamental a formação de novos profissionais para atender à demanda e elevar o nível das produções no país.

Além dos cursos de graduação e politécnicos, algumas instituições também possuem cursos de pós-graduação em cinema. Estes têm por finalidade a especialização profissional, contribuindo para o progresso técnico-científico na área. Um exemplo é a Pós-graduação em Cinema Documentário da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Segundo a instituição, o curso combina a experiência dos professores do Centro de Pesquisa e Documentação de Histórica Contemporânea do Brasil (CPDOC) e de profissionais de cinema que, além de produzirem documentários, têm reflexão intelectual sobre o gênero. Em entrevista para o site da instituição, a aluna Sônia Dias Pereira fala sobre a importância da organização do raciocínio antes de partir para a realização do documentário. Segundo ela, o curso foi fundamental para desenvolver uma linearidade em sua observação da realidade e saber que olhar ela pode ter sobre esta mesma realidade.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Editoria: Música

Santa Música

Música gospel ocupa segundo lugar na lista dos estilos mais populares no Brasil.

Por Flavia Emilia

A indústria cultural no Brasil movimenta bilhões e só o mercado fonográfico brasileiro em 2006 movimentou uma quantia que passou dos 450 milhões, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD).E tudo indica que esses números tendem a crescer, se a pirataria permitir, é claro. A música religiosa resolveu pegar carona nesse mercado de milhões e as cançãos que antes estavam destinadas aos cultos ou missas estão conquistando as prateleiras das lojas de CD. O gênero gospel está em segundo lugar na lista dos mais vendidos, perdendo apenas para o pop rock. E para aqueles que ainda não acreditam em ajuda sobrenatural, vale lembrar que segundo a ABPD, em 2007 o Padre Marcelo Rossi ocupou duas colocações na lista dos 20 CDs mais vendidos. O padre cantor ficou em primeiro lugar com o CD "Minha Bênção" e em décimo segundo com o trabalho “Momento De Fé Para Uma Vida Melhor (Edição De Natal)”.

Nesse setor, quem deseja bons resultados não pode dar espaço ao amadorismo e esperar o sucesso cair do céu. O produtor musical, Fábio Cirino, diz que a música gospel não deixa a desejar e "Isso se deve a inúmeros fatores, dentre os quais o de maior valia seria um forte percentual de músicos da área gospel que buscam o desenvolvimento na área secular, sendo com aulas e pesquisa.", diz. Fábio, que além de produtor é arranjador e tecladista, hoje tem 23 anos e há 6 anos trabalha com música religiosa e secular.

Segundo o produtor, os evangélicos começaram antes dos católicos, essa corrida pela capacitação profissional e isso se deve a uma maior valorização e investimento. Cirino diz que "Atualmente, as bandas (católicas) têm tido mais apoio, mas nunca tiveram o apoio devido. Aproximadamente 8% das igrejas do Brasil investem em instrumentos musicais, quase 2% investem em aprendizado dos músicos (aulas e cursos), 12% investem em som para missas que tenham ministério e fazem manutenção do mesmo."

Enquanto a Igreja Católica engatinha na produção fonográfica, os evangélicos parecem estar bem mais estruturados. Shows de grande porte são recorrentes no meio evangélico enquanto os cantores e músicos católicos fazem em média 6 a 8 apresentações de pequeno porte por mês. Quando o assunto é venda de produtos, a superioridade evangélica é mantida. "Quanto ao recorde de vendas, já vi muito em mercado evangélico. No católico, a gente busca bater a quantidade de vendas que possa cobrir os gastos de confecção de um dado produto fonográfico.", declara Fábio Cirino. Mesmo com toda essa visão mercadológica, alguns fazem apresentações gratuitas, pois se definem como "evangelizadores" e "anunciadores da Palavra de Deus"

Os músicos e cantores não se sentem tão prejudicados pela pirataria de CDs, entretanto reconhecem que acontecem outras formas de perdas nas vendas da produção gospel. A cópia de CDs e MP3 para esse grupo é de alta periculosidade. O arranjado ressalta que "Existem outros atos que, mesmo não sendo pirataria, influenciam bastante a venda de um músico religioso. Por exemplo, a cópia de CDs entre amigos ou MP3."

A música gospel vem se estruturando ao longo desses anos e não dá pra dizer que possui um estilo próprio. Muitas bandas e cantores utilizam técnicas de estilos de músicas seculares. As referências e as ligações com esses estilos são tantas que muitas bandas de música gospel realizam apresentações em aberturas de shows de bandas seculares, como é o caso da banda de rock católico Eterna. O grupo e outras bandas de rock fazem o que eles chamam de white metal e dizem não ver diferença entre apresentações no meio religioso e fora dele, pois o trabalho é o mesmo.

O crescimento tende a continuar e vale lembrar que a música gospel está presente no Brasil desde 1989. Leandro Oliveira, presidente da gravadora Line Records, está otimista em relação ao desempenho da música gospel. "Ocupamos hoje a segunda colocação entre os gêneros musicais campeões em venda no mercado nacional. Esse resultado deve-se ao aumento da população evangélica, que, até 2020, deve chegar a 50 milhões de brasileiros.", declara o presidente da gravadora evangélica. Não há como negar que cantar para Deus está na moda e traz um bom retorno financeiro.




Editoria: Música

Música tipo exportação

Por Flavia Emilia

Brasileiro é apaixonado por música. Seja cantarolando no chuveiro, ao volante, batucando algum objeto ou até mesmo marcando com os pés, o brasileiro é essencialmente musical. "Todo sábado eu ligo o rádio no último volume e coloco o meu pagode pra todo mundo ouvir. Não dá pra viver sem música não, gente. Música alegra o espírito!", diz eufórica, dona Iraci de 65 anos. Há muito tempo que essa paixão ultrapassou as fronteiras e o mundo tem se encantado com a nossa batucada.

Observando esse sucesso e a necessidade de uma atenção maior a esse segmento da nossa cultura é que em 2005 foi criada uma política inédita no Brasil; a de promoção da música brasileira no exterior. O Pró-Música, programa de apoio à exportação da música, surgia com o objetivo difundir ainda mais a música tupiniquim. Entretanto, tem surgido um questionamento em relação ao sucesso internacional de alguns músicos brasileiros e a desvalorização dos mesmos no mercado interno.

Para o jornalista e crítico musical, Pedro Alexandre, essa desvalorização pode ter raízes históricas. “Se olharmos historicamente, talvez isso tenha sido iniciado por Carmen Miranda, artista que teve uma carreira forte aqui e depois foi ser estrela de cinema em Hollywood”, diz o jornalista. Pedro Alexandre fala também que o artista brasileiro é um andarilho e isso o torna conhecido em vários lugares, entretanto, ele distingue o artista nômade dos artistas que tiveram seus trabalhos consagrados fora do país por causa do exílio. “muitas vezes o sucesso no exterior dos artistas brasileiros é vivenciado como um período de exílio ou do país ou de uma camada do público”.


Pedro Alexandre acredita que é importante uma valorização desses artistas por parte do próprio povo brasileiro. “Por mais que seja motivo de orgulho ter essa gente toda tocando lá fora, é motivo de vergonha que a gente aqui dentro não as valorize” , diz o jornalista. Em alguns casos, alguns artistas começam a fazer sucesso fora do país e depois passam a ser reconhecidos no Brasil. É o caso de Tom Zé. O músico foi descoberto pelo também músico, o norte-americano David Byrne que escutou por acaso seu CD "Estudando Samba".

Há quem diga também que a música brasileira não faça tanto sucesso como muitos afirmam. "Sempre que um cantor brasileiro se apresenta no exterior, grande parte de seu público é formada por imigrantes pátrios matando saudades da terrinha. ", diz o jornalista Sérgio Martins. O que acontece em alguns casos, é que a "brasilidade" da nossa música fica perdida em meio aos padrões tipo exportação. Existe uma música brasileira aqui e outra que os "gringos" gostam de escutar. Essa é a música tipo exportação que precisa obedecer a certos padrões pra fazer sucesso no exterior e que muitas vezes está distante da genuína MPB.

Bebel Gilberto, filha do cantor João Gilberto, mora nos Estados Unidos desde o início dos anos 90 e pode ser considerada como integrante do grupo "tipo exportação". Seu primeiro trabalho solo, Tanto Tempo, é uma bossa nova recantada, com um toque de ritmos eletrônicos. Bebel é mais uma prova de que quem cumpre essas exigências de mercado faz mais sucesso, já que esse trabalho já contabilizou mais de 50.000 cópias vendidas. O que deve ser repensado é até que ponto a música brasileira sai ganhando com essa internacionalização.

terça-feira, 24 de junho de 2008

EDITORIA: TELEVISÃO

Obs: Esta matéria está em andamento! Só a outra está fechada! 

Telejornais universitários na rede

Faculdades de Comunicação investem em novas mídias eletrônicas

Por Kamylle Alves

As faculdades de Comunicação Social do país, seguindo a tendência das novas tecnologias da comunicação, investem no equipamento de laboratórios que permitem a produção dos telejornais online pelos estudantes de jornalismo. Ao entrar na faculdade, os alunos podem integrar a teoria com a prática, além de adquirir experiência de produção e reflexão crítica sobre o jornalismo na web.

Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o Laboratório de Televisão e Vídeo foi inaugurado em 1994, com o objetivo de auxiliar os alunos do curso de Comunicação Social na prática do jornalismo televisivo. A partir de 2001, entrou no ar a TV UERJ Online, a primeira TV universitária online do Brasil. O projeto pioneiro foi ganhador, no ano seguinte do prêmio Luis Beltrão, o mais importante da comunicação.

A estudante ........(FALTA ALGUÉM AQUI). (falar de como é o trab e falar os programas atuais). Inclusive, no ano passado, a TV Uerj chegou a ser premiada com uma menção honrosa no Top Comm Award 2007 por ser a única indicada formada por estudantes universitários.

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), O TJUFRJ,o telejornal online da Escola de Comunicação da UFRJ, foi criado em 2001 na Escola de Comunicação por um grupo de alunos interessados em experimentar as novas tecnologias. Através do site é possível acessar reportagens em vídeo sobre os principais acontecimentos da faculdade, de realizar transmissões ao vivo de palestras, aulas e debates. 

Segundo a editora e chefe de reportagem do TJ, Juliana Teixeira, “a proposta é promover a utilização de discursos e narrativas midiáticas mais críticas e criativas na distribuição e na multiplicação de conhecimentos relativos à produção acadêmica e à divulgação de eventos realizados pela Escola de Comunicação da UFRJ. Além disso, busca investigar os efeitos das novas tecnologias na produção das notícias, principalmente as audiovisuais”. 

Ela conta ainda que “na produção do Telejornal online, o aluno tem a oportunidade de experimentar, de oito a doze horas semanais, as funções de pauteiros, produtores, repórteres, cinegrafistas, editores de texto e imagem, e redatores”. Outra iniciativa implantada pelo TJUFRJ são as reuniões virtuais realizadas todas as quartas-feiras pelos editores de conteúdo para a atualização da homepage do site. O projeto conta, ainda, com um grupo de e-mails, através do qual a coordenadora do projeto, os alunos e os bolsitas trocam mensagens com informações, dúvidas e sugestões para o aprimoramento do site e do laboratório.

VÍDEOS:

TELEJORNAL UERJ ONLINE

TJUFRJ

Outras TVs Online:

TeleJornal Online - Universidade ANHEMBI MORUMBI

TeleJornal Online - UNIMONTE

TeleJornal Online - UFMG



EDITORIA: TELEVISÃO

TV Pública no Brasil

A busca pela conquista do telespectador e da democracia

Por Kamylle Alves


Em 2 de Dezembro entrou no ar a TV Brasil, união do patrimônio da Empresa Brasileira de Comunicação (Radiobrás) e da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp). Sintonizada no canal 2 no Distrito Federal e nos estados do Rio de Janeiro e do Maranhão, e também na Amazônia, por meio de antena parabólica, desde o dia 14 e Maio, já pode ser assistida, em São Paulo, pelo canal 4 da NET.

A idéia da nova emissora está vinculada à recém-criada Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A programação, segundo os diretores, seria definida a partir de sugestões e da participação interativa dos telespectadores, a fim de oferecer para que a sociedade civil tenha voz ativa e participação direta, a fim de oferecer uma "programação diferenciada da que é exibida pela TV comercial, com ênfase na informação artística, cultural e científica, no bom jornalismo, no debate das questões nacionais, na expressão da pluralidade social", como divulgado no site.


A experiência internacional mostra que as TVs públicas são viáveis e podem cumprir um importante papel na oferta de fontes diversificadas de informação e entretenimento. A mais conhecida é a BBC inglesa. Por isso, não pode e não deve fazer publicidade comercial, de produtos e serviços

Apesar das condições públicas ainda serem algo a discutir em termos de viabilidade e praticidade no Brasil, um dos fatores que possibilitaram a criação da TV pública foi a adoção do padrão digital. "A chegada do país ao padrão digital amplia o espectro de canais disponíveis. O Governo Federal dispôs-se a viabilizar o projeto, cedendo seus canais (TVEs do Rio e do Maranhão, canal de São Paulo e Radiobrás)".

Incentivo a produções independentes

A fim de estimular a inclusão e valorizar a diversidade cultural do Brasil, o Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro (DOCTV) representa uma ferramenta de inclusão para aqueles que pretendem mostrar e valorizar, no formato audiovisual, a diversidade cultural do país. E se revela, também, como um estímulo no processo de implantação da Rede Pública de Televisão no Brasil, segundo a presidente da EBC/TV Brasil, Tereza Cruvinel, durante o lançamento da etapa estadual do Rio, da quarta edição do Concurso DOCTV.

Lançado em agosto de 2003, o programa DOCTV é uma iniciativa realizada por meio de convênio entre a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, TV Cultura e a Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (ABEPEC) como mais uma parceria entre a TV Pública para estimular a produção independente do país.

                                                                            Tereza Cruvinel - Presidente da EBC

"Quando regionalizado esse estímulo torna-se um instrumento de multipolaridade cultural do Brasil, mostrando as nossas singularidades", destacou Cruvinel durante o evento, realizado no auditório do Memorial Getúlio Vargas, no centro da cidade.


As inscrições para quem quiser participar do DOCTV IV estão abertas e vão até o dia 11 de julho. Este ano, o programa vai selecionar 35 projetos em 26 estados, mais o Distrito Federal. Cada projeto receberá R$ 110 mil para a realização de um documentário. Os trabalhos selecionados nos concursos serão co-produzidos pelas TV's públicas e exibidos, em horários nobres, a partir de 29 de maio de 2009, em rede nacional.


O regulamento encontra-se aqui !

Veja como foi a última edição:

DOCTV III - Chamada da série

DVD DOCTV



Editoria: Literatura

OS 70 ANOS DE PREMIAÇÃO DE "VIAGEM", DE CECÍLIA MEIRELES



Considerada uma das maiores vozes líricas da língua portuguesa, em 2008, comemoramos 70 anos da preimação de "Viagem", primeiro livro do modernismo.


Por Sabrina Rodrigues

2008 é mesmo um ano de muitas comemorações na literatura brasileira: Centenário de morte de Machado de Assis, centenário de nascimento de João Guimarães Rosa e comemoramos os 70 anos da premiação do livro Viagem, primeiro livro do modernismo reconhecido pela ABL

Publicado em 1938, a premiação do livro gerou muita polêmica a ponto do também escritor Cassiano Ricardo defendê-la diante da cátedra comprando briga com quase todos da banca.


Cecília por Cecília
Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.

E foi assim a vida toda. Sua experiência com a morte de entes queridos marca a poesia de Cecília Benevides de Carvalho Meireles, a única sobrevivente dos quatro filhos de Carlos Alberto de carvalho Meireles e Matilde Benevides Meireles.

Cecília estudou no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro em 1917 e a partir de então, passa a exercer o magistério primário em escolas oficiais do Rio de Janeiro.

Ela foi poeta, professora, jornalista. Muito combativa na área da Educação, Cecília foi também jornalista e ocupou a página de educação do Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, de 1930 a 1933. Mais tarde, entre os anos de 1941 a 1943, a escritora jornalista manteve a coluna intitulada Professores e estudantes, no jornal A Manhã.


A poesia de Cecília Meireles

Certa vez, em entrevista, Cecília Meireles descreveu sua poesia como Acordar a criatura humana dessa espécie de sonambulismo em que tantos se deixam arrastar. Mostrar-lhes a vida em profundidade. Sem pretensão filosófica ou de salvação_, mas por uma contemplação poética afetuosa e participante.

Doutorando em Poética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Osmar Soares da Silva Filho afirma Cecília ser a mais universalizante do modernismo brasileiro, portanto, é moderna sem ser modernista. Centrada naquilo que Bergson (filósofo francês) chama de a “vida de espírito”, voltada para a finitude das coisas, para a passagem do tempo e a contemplação da natureza.

Quando perguntado se Cecília Meireles é pouco estudada nas escolas brasileiras Osmar Soares afirma: Esta é uma pergunta complicada porque eu, como professor, faço questão de fazer menção do nome de uma Cecília Meireles, um Carlos Drummond de Andrade, um Manuel Bandeira aos alunos. Se você verificar os livros didáticos, vai perceber o nome desses poetas lá. Acho que a escola é o começo, é quando se percebe a existência de livros, quando nasce o gosto pela leitura. Pelo menos deveria ser. E conta um pouco sobre o seu primeiro contato com a obra de Cecília: Particularmente, a poesia de Cecília me foi apresentada muito cedo, num livro que tinha um belo desenho acompanhado do poema “O Menino Azul”. Lembro da minha perplexidade diante do texto. Lembro também que me marcaram “O Último Andar” e “Leilão de Jardim”, espalhados pelo mesmo livro didático.


Certamente, Cecília Meireles é considerada uma das maiores vozes líricas da língua portuguesa. Está seguramente ao lado de Fernando Pessoa, por exemplo. É muito lida em Portugal. Escreveu o que se considera a epopéia brasileira: O Romanceiro da Inconfidência. Mas não foi, no início de sua carreira literária, muito bem compreendida. Até hoje é vista por um víeis muito simplista e chega a ser reduzida ao rótulo de neo-simbolista e pouco brasileira, por alguns.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Editoria: Literatura

O QUE HÁ EM MACHADO DE ASSIS

O Jovem Machado de Assis ao lado de sua escrivaninha.


Do Morro do Livramento para a Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis tornou-se o escritor mais importante do século XIX e, também, um dos mais importantes da Literatura Brasileira.

Por Sabrina Rodrigues

Ele nasceu Joaquim Maria Machado de Assis em 21 de Junho de 1839 em uma quinta do morro do Livramento, no centro antigo do Rio de Janeiro e tornou-se o escritor mais importante do Brasil no século XIX.

Ele foi contista, cronista, dramaturgo, jornalista, romancista, novelista, crítico e ensaísta. É assim, em larga escala que se traduz o trabalho intelectual de Machado de Assis. Apenas lendo essas primeiras linhas, muitos pensam que tudo foi simplesmente fácil na vida do escritor. Porém, não foi nada assim.

De saúde muito frágil, Machado sofria de epilepsia, era gago e tímido. Aos seis anos, presenciou a morte da sua única irmã e quatro anos depois a morte da mãe. Mas, pouco se sabe sobre a sua infância. A verdade é que desde a adolescência Machado já se interessava pela vida intelectual. Consta ainda, que mesmo se firmando como um escritor de prestígio, Machado de Assis passou em determinadas fases de sua vida por dificuldades financeiras.

Machado de Assis presencia o país sair da monarquia escravista e entrar na República. Isso se encontra presente em algumas de suas obras como Esaú e Jacó, por exemplo. E em suas obras temos a dimensão do que foi o Rio de Janeiro antigo, quando ainda era a capital política do país.


A Literatura de Machado de Assis


Filho de operário, Machado de Assis entrou na imprensa com tipógrafo. Depois, alcançou o posto de cronista donde teve destaque seus textos combativos contra a escravidão, como esse da Gazeta de Notícias, escrito a seis dias depois da Abolição da Escravatura (13 de maio de 1888), segundo Machado Os homens puros, grandes e verdadeiramente políticos, não são os que obedecem á lei, mas os que se antecipam a ela, dizendo ao escravo: é livre, antes que o digam os poderes públicos, sempre retardatários, trôpegos e incapazes de restaurar a justiça na terra, para satisfação do céu.

Mas, o que há de tão especial na obra de Machado de Assis que o fez tão célebre e estudado? Segundo Antônio Candido em “Esquema de Machado de Assis”, a técnica machadiana consiste estabelecer um contraste entre normalidade social dos fatos a sua anormalidade essencial.

Machado de Assis, em sua obra literária, não estava interessado em narrar historinhas, não fazia “romance de costumes” e sim “romance de análise”, ou seja, revelar especificidades profundas do comportamento humano. Machado de Assis trouxe assuntos inéditos para a prosa brasileira, como as questões da vida, a alma confusa dos indivíduos, a dualidade de caráter de seus personagens. Quem não pergunta: Capitu traiu ou não Bentinho?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Editoria: Teatro/primeira matéria/fotos

Galeria de Fotos

Postado por Cris de Oliveira