sexta-feira, 27 de junho de 2008

Editoria: Música

Santa Música

Música gospel ocupa segundo lugar na lista dos estilos mais populares no Brasil.

Por Flavia Emilia

A indústria cultural no Brasil movimenta bilhões e só o mercado fonográfico brasileiro em 2006 movimentou uma quantia que passou dos 450 milhões, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD).E tudo indica que esses números tendem a crescer, se a pirataria permitir, é claro. A música religiosa resolveu pegar carona nesse mercado de milhões e as cançãos que antes estavam destinadas aos cultos ou missas estão conquistando as prateleiras das lojas de CD. O gênero gospel está em segundo lugar na lista dos mais vendidos, perdendo apenas para o pop rock. E para aqueles que ainda não acreditam em ajuda sobrenatural, vale lembrar que segundo a ABPD, em 2007 o Padre Marcelo Rossi ocupou duas colocações na lista dos 20 CDs mais vendidos. O padre cantor ficou em primeiro lugar com o CD "Minha Bênção" e em décimo segundo com o trabalho “Momento De Fé Para Uma Vida Melhor (Edição De Natal)”.

Nesse setor, quem deseja bons resultados não pode dar espaço ao amadorismo e esperar o sucesso cair do céu. O produtor musical, Fábio Cirino, diz que a música gospel não deixa a desejar e "Isso se deve a inúmeros fatores, dentre os quais o de maior valia seria um forte percentual de músicos da área gospel que buscam o desenvolvimento na área secular, sendo com aulas e pesquisa.", diz. Fábio, que além de produtor é arranjador e tecladista, hoje tem 23 anos e há 6 anos trabalha com música religiosa e secular.

Segundo o produtor, os evangélicos começaram antes dos católicos, essa corrida pela capacitação profissional e isso se deve a uma maior valorização e investimento. Cirino diz que "Atualmente, as bandas (católicas) têm tido mais apoio, mas nunca tiveram o apoio devido. Aproximadamente 8% das igrejas do Brasil investem em instrumentos musicais, quase 2% investem em aprendizado dos músicos (aulas e cursos), 12% investem em som para missas que tenham ministério e fazem manutenção do mesmo."

Enquanto a Igreja Católica engatinha na produção fonográfica, os evangélicos parecem estar bem mais estruturados. Shows de grande porte são recorrentes no meio evangélico enquanto os cantores e músicos católicos fazem em média 6 a 8 apresentações de pequeno porte por mês. Quando o assunto é venda de produtos, a superioridade evangélica é mantida. "Quanto ao recorde de vendas, já vi muito em mercado evangélico. No católico, a gente busca bater a quantidade de vendas que possa cobrir os gastos de confecção de um dado produto fonográfico.", declara Fábio Cirino. Mesmo com toda essa visão mercadológica, alguns fazem apresentações gratuitas, pois se definem como "evangelizadores" e "anunciadores da Palavra de Deus"

Os músicos e cantores não se sentem tão prejudicados pela pirataria de CDs, entretanto reconhecem que acontecem outras formas de perdas nas vendas da produção gospel. A cópia de CDs e MP3 para esse grupo é de alta periculosidade. O arranjado ressalta que "Existem outros atos que, mesmo não sendo pirataria, influenciam bastante a venda de um músico religioso. Por exemplo, a cópia de CDs entre amigos ou MP3."

A música gospel vem se estruturando ao longo desses anos e não dá pra dizer que possui um estilo próprio. Muitas bandas e cantores utilizam técnicas de estilos de músicas seculares. As referências e as ligações com esses estilos são tantas que muitas bandas de música gospel realizam apresentações em aberturas de shows de bandas seculares, como é o caso da banda de rock católico Eterna. O grupo e outras bandas de rock fazem o que eles chamam de white metal e dizem não ver diferença entre apresentações no meio religioso e fora dele, pois o trabalho é o mesmo.

O crescimento tende a continuar e vale lembrar que a música gospel está presente no Brasil desde 1989. Leandro Oliveira, presidente da gravadora Line Records, está otimista em relação ao desempenho da música gospel. "Ocupamos hoje a segunda colocação entre os gêneros musicais campeões em venda no mercado nacional. Esse resultado deve-se ao aumento da população evangélica, que, até 2020, deve chegar a 50 milhões de brasileiros.", declara o presidente da gravadora evangélica. Não há como negar que cantar para Deus está na moda e traz um bom retorno financeiro.




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