Os novos Absurdos
O Longo Caminho

Público e personagens sonham juntos em O Longo Caminho, o teatro do absurdo do Grupo Delírio Cia. de Teatro. A peça traz os personagens Ogre e Magri, dois clowns distraídos, e suas reflexões sobre os mistérios da vida.
É um espetáculo em que começo, meio e fim não existe. Uma história não-linear, dotada de um enredo livre e poético. As idéias que trilham o caminho dos dois protagonistas são baseadas em grandes nomes da literatura universal, como Julio Cortazar, Lewis Carrol, Oscar Wilde, Franz Kafka e Clarice Lispector. Todos estes possuem em comum uma linguagem surrealista. O sonho é levado para o palco.
Um espetáculo em que o não-convencional predomina. Um excesso de subjetividade que, no entanto, abre diversas possibilidades de compreensão para o público. Com esquetes que mudam de significado de acordo com quem assiste a elas. Este é O Longo Caminho. É o teatro do absurdo.
Bolacha Maria, Um Punhado de Neve Que Restou da Tempestade
Situações cotidianas onde os personagens contam histórias banais que vão se unindo uma a outra é o tema central da peça Bolacha Maria - um punhado de neve que restou da tempestade. A montagem da Armadilha Cia. de Teatro, é baseada no texto do jornalista Manoel Carlos Karam. Segundo a diretora Nadja Naira, responsável pelo espetáculo, a nova montagem tem elementos do teatro do absurdo e do teatro lírico, levando o espectador a mergulhar em casos curiosos. O elenco é formado por Alan Raffo, Alexandre Nero, Sol Faganello, Tatiana Blum e Diego Fortes, que além de atuar é diretor da companhia.
O Céu Cinco Minutos Antes da Tempestade
Fragments
Composto por textos curtos de Beckett, Fragments, o novo espetáculo da companhia do diretor inglês Peter Brook, considerado um dos principais encenadores do século XX, é uma colcha de retalhos. A companhia traz "Rockaby" (sobre a solidão de uma mulher), "Rough for theatre I" (com a relação entre um cego e um homem numa cadeira de rodas), "Act without words II" (sobre a rotina diária de trabalho), "Come and go" (com as fofocas trocadas por três idosas) e "Neither" (adaptação de um libreto de ópera).
A busca por simplicidade fez Peter Brook utilizar apenas três atores durante a peça, além de criar movimentos um tanto minimalistas, num clima de cinema mudo, como em "Act without words II". Brook - que de Beckett já montou "Dias felizes", em 1995 - também dá mais humor ao autor em Fragments. Lá ainda estão os sinais da melancolia de Beckett, mas Brook tenta distanciar o dramaturgo irlandês dos rótulos de pessimista e negativo que lhe são comumente atribuídos.
Idiota no País dos Absurdos
De George Bernard Shaw, adaptação e direção de Domingo Nunes. Com Hélio Cicero, Eliseu Paranhos, Priscila Jorge e outros. No texto, filiado a estética do teatro do absurdo, o dramaturgo irlandês conta a história do pastor de uma igreja que participa de estranhas experiências sexuais que envolvem perversões, incestos e pedofilia para criar uma raça supostamente perfeita. A obra, nunca antes traduzida para o português, é estruturada na forma de comédia absurda. A peça apresenta semelhanças com o Brasil, algo buscado pelo grupo. Nesta obra Shaw aplica sua noção de narrativa sem enredo, estruturada sem lógica aparente.
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O Processo
O Processo,adaptação do romance homônimo de Franz Kafka. Direção e adaptação de José Henrique. Com Tuca Andrada e outros. A peça permanece atual e dialoga com o cenário sociopolítico do país. Tuca Andrada vive Josef K., um alto executivo absorvido pela burocracia que, ao acordar, descobre que está preso e sendo processado. Em cena, Josef K. percorre o labirinto, onde encontra 50 personagens interpretados pelos nove atores que completam o elenco. Os arquivos viram elemento cênico, pois os personagens são criados a partir de adereços tirados de lá, como chapéus, luvas e laços.Na montagem, o diretor tenta valorizar o humor, mas apesar de Kafka ter sido um judeu bem-humorado, o lado pesado não pode deixar de existir, já que seus personagens vão se tornando estranhos.


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