
Considerada uma das maiores vozes líricas da língua portuguesa, em 2008, comemoramos 70 anos da preimação de "Viagem", primeiro livro do modernismo.
Por Sabrina Rodrigues
2008 é mesmo um ano de muitas comemorações na literatura brasileira: Centenário de morte de Machado de Assis, centenário de nascimento de João Guimarães Rosa e comemoramos os 70 anos da premiação do livro Viagem, primeiro livro do modernismo reconhecido pela ABL
Publicado em 1938, a premiação do livro gerou muita polêmica a ponto do também escritor Cassiano Ricardo defendê-la diante da cátedra comprando briga com quase todos da banca.
Cecília por Cecília
Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.
E foi assim a vida toda. Sua experiência com a morte de entes queridos marca a poesia de Cecília Benevides de Carvalho Meireles, a única sobrevivente dos quatro filhos de Carlos Alberto de carvalho Meireles e Matilde Benevides Meireles.
Cecília estudou no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro em 1917 e a partir de então, passa a exercer o magistério primário em escolas oficiais do Rio de Janeiro.
Ela foi poeta, professora, jornalista. Muito combativa na área da Educação, Cecília foi também jornalista e ocupou a página de educação do Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, de 1930 a 1933. Mais tarde, entre os anos de 1941 a 1943, a escritora jornalista manteve a coluna intitulada Professores e estudantes, no jornal A Manhã.
A poesia de Cecília Meireles
Certa vez, em entrevista, Cecília Meireles descreveu sua poesia como Acordar a criatura humana dessa espécie de sonambulismo em que tantos se deixam arrastar. Mostrar-lhes a vida em profundidade. Sem pretensão filosófica ou de salvação_, mas por uma contemplação poética afetuosa e participante.
Doutorando em Poética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Osmar Soares da Silva Filho afirma Cecília ser a mais universalizante do modernismo brasileiro, portanto, é moderna sem ser modernista. Centrada naquilo que Bergson (filósofo francês) chama de a “vida de espírito”, voltada para a finitude das coisas, para a passagem do tempo e a contemplação da natureza.
Quando perguntado se Cecília Meireles é pouco estudada nas escolas brasileiras Osmar Soares afirma: Esta é uma pergunta complicada porque eu, como professor, faço questão de fazer menção do nome de uma Cecília Meireles, um Carlos Drummond de Andrade, um Manuel Bandeira aos alunos. Se você verificar os livros didáticos, vai perceber o nome desses poetas lá. Acho que a escola é o começo, é quando se percebe a existência de livros, quando nasce o gosto pela leitura. Pelo menos deveria ser. E conta um pouco sobre o seu primeiro contato com a obra de Cecília: Particularmente, a poesia de Cecília me foi apresentada muito cedo, num livro que tinha um belo desenho acompanhado do poema “O Menino Azul”. Lembro da minha perplexidade diante do texto. Lembro também que me marcaram “O Último Andar” e “Leilão de Jardim”, espalhados pelo mesmo livro didático.
Certamente, Cecília Meireles é considerada uma das maiores vozes líricas da língua portuguesa. Está seguramente ao lado de Fernando Pessoa, por exemplo. É muito lida em Portugal. Escreveu o que se considera a epopéia brasileira: O Romanceiro da Inconfidência. Mas não foi, no início de sua carreira literária, muito bem compreendida. Até hoje é vista por um víeis muito simplista e chega a ser reduzida ao rótulo de neo-simbolista e pouco brasileira, por alguns.
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