segunda-feira, 7 de julho de 2008
Durante a década de 40 e 50, as criações das editoras Marvel e DC eram exibidas nos cinemas como séries. Este formato migrou para a TV anos depois, com os sucessos Batman (1966) e Incrível Hulk (1977). A partir da década de 1990 as produções se intensificam com a entrada de outras editoras nesse novo mercado.
O século XXI trouxe a grande explosão de adaptações de Quadrinhos para o Cinema, X-Man (2000), Hulk (2003), O Demolidor (2003), Mulher Gato (2004), O Quarteto Fantástico (2005), entre outros. Mas não é sempre que uma produção baseada nas história em quadrinhos faz sucesso. Muitos fãs ,que acompanham as histórias desde criancinhas, se dizem insatisfeitos com algumas produções, alegando que o filme não foi fiel a história e deixou muito a desejar.
Por outro lado, muitas destas adaptações se tornam verdadeiros sucessos de bilheteria, atraindo para o cinema o público dos quadrinhos. Hellboy parece ser um destes grandes fenômenos de bilheteria. O primeiro filme, em 2004, foi dirigido por Guillermo del Toro (Blade 2) e conta com Ron Perlman, John Hurt e Selma Blair no elenco. Trata-se da história de um garoto que é salvo dos nazistas em meio a um ritual de magia negra, que fez com que ganhasse a aparência de um demônio. Quinze anos depois, ele precisa investigar um estranho fenômeno.
Em "Hellboy 2", Del Toro manteve a sua predileção por não recorrer à computação gráfica para criar seus personagens fabulosos.
Hellboy 2: O Exército Dourado
Resumo:“Depois de uma antiga trégua entre a humanidade e o reino fantástico invisível ser quebrada, o inferno na Terra está pronto a rebentar. Um líder cruel que caminha em ambos os mundos desafia a sua linhagem de sangue e desperta um incontrolável exército de criaturas. Agora cabe ao herói mais duro do planeta lutar com o ditador e os seus aniquiladores. Ele pode ser vermelho. Ele pode ser cornudo. Ele pode ser incompreendido. Mas quando alguém precisa de um trabalho bem feito, é hora de chamar Hellboy. Ao lado da crescente equipa do Bureau de Pesquisas e Defesas do Paranormal - a namorada piro cinética Liz, o aquático Abe e o místico protoplasmático Johann - ele viajará pela superfície e pelo mundo mágico, onde criaturas de fantasia ganham vida. E Hellboy, uma criatura de dois mundos que não é aceite em nenhum deles, deverá escolher entre a vida que conhece e o destino desconhecido que acena para ele.”
Site Oficial: http://www.sonypictures.com/homevideo/hellboy/
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Editoria Teatro/Segunda Matéria/Link interno novas peças absurdas
Os novos Absurdos
O Longo Caminho

Público e personagens sonham juntos em O Longo Caminho, o teatro do absurdo do Grupo Delírio Cia. de Teatro. A peça traz os personagens Ogre e Magri, dois clowns distraídos, e suas reflexões sobre os mistérios da vida.
É um espetáculo em que começo, meio e fim não existe. Uma história não-linear, dotada de um enredo livre e poético. As idéias que trilham o caminho dos dois protagonistas são baseadas em grandes nomes da literatura universal, como Julio Cortazar, Lewis Carrol, Oscar Wilde, Franz Kafka e Clarice Lispector. Todos estes possuem em comum uma linguagem surrealista. O sonho é levado para o palco.
Um espetáculo em que o não-convencional predomina. Um excesso de subjetividade que, no entanto, abre diversas possibilidades de compreensão para o público. Com esquetes que mudam de significado de acordo com quem assiste a elas. Este é O Longo Caminho. É o teatro do absurdo.
Bolacha Maria, Um Punhado de Neve Que Restou da Tempestade
Situações cotidianas onde os personagens contam histórias banais que vão se unindo uma a outra é o tema central da peça Bolacha Maria - um punhado de neve que restou da tempestade. A montagem da Armadilha Cia. de Teatro, é baseada no texto do jornalista Manoel Carlos Karam. Segundo a diretora Nadja Naira, responsável pelo espetáculo, a nova montagem tem elementos do teatro do absurdo e do teatro lírico, levando o espectador a mergulhar em casos curiosos. O elenco é formado por Alan Raffo, Alexandre Nero, Sol Faganello, Tatiana Blum e Diego Fortes, que além de atuar é diretor da companhia.
O Céu Cinco Minutos Antes da Tempestade
Fragments
Composto por textos curtos de Beckett, Fragments, o novo espetáculo da companhia do diretor inglês Peter Brook, considerado um dos principais encenadores do século XX, é uma colcha de retalhos. A companhia traz "Rockaby" (sobre a solidão de uma mulher), "Rough for theatre I" (com a relação entre um cego e um homem numa cadeira de rodas), "Act without words II" (sobre a rotina diária de trabalho), "Come and go" (com as fofocas trocadas por três idosas) e "Neither" (adaptação de um libreto de ópera).
A busca por simplicidade fez Peter Brook utilizar apenas três atores durante a peça, além de criar movimentos um tanto minimalistas, num clima de cinema mudo, como em "Act without words II". Brook - que de Beckett já montou "Dias felizes", em 1995 - também dá mais humor ao autor em Fragments. Lá ainda estão os sinais da melancolia de Beckett, mas Brook tenta distanciar o dramaturgo irlandês dos rótulos de pessimista e negativo que lhe são comumente atribuídos.
Idiota no País dos Absurdos
De George Bernard Shaw, adaptação e direção de Domingo Nunes. Com Hélio Cicero, Eliseu Paranhos, Priscila Jorge e outros. No texto, filiado a estética do teatro do absurdo, o dramaturgo irlandês conta a história do pastor de uma igreja que participa de estranhas experiências sexuais que envolvem perversões, incestos e pedofilia para criar uma raça supostamente perfeita. A obra, nunca antes traduzida para o português, é estruturada na forma de comédia absurda. A peça apresenta semelhanças com o Brasil, algo buscado pelo grupo. Nesta obra Shaw aplica sua noção de narrativa sem enredo, estruturada sem lógica aparente.
Veja também:
O Processo
O Processo,adaptação do romance homônimo de Franz Kafka. Direção e adaptação de José Henrique. Com Tuca Andrada e outros. A peça permanece atual e dialoga com o cenário sociopolítico do país. Tuca Andrada vive Josef K., um alto executivo absorvido pela burocracia que, ao acordar, descobre que está preso e sendo processado. Em cena, Josef K. percorre o labirinto, onde encontra 50 personagens interpretados pelos nove atores que completam o elenco. Os arquivos viram elemento cênico, pois os personagens são criados a partir de adereços tirados de lá, como chapéus, luvas e laços.Na montagem, o diretor tenta valorizar o humor, mas apesar de Kafka ter sido um judeu bem-humorado, o lado pesado não pode deixar de existir, já que seus personagens vão se tornando estranhos.
Editoria Teatro/Segunda Matéria/Link interno Godot
Uma espera
Vladimir e Estragon
Assista a um trecho da fala de Vladimir
Esperando Godot, conta a história de dois personagens que esperam ansiosos por ajuda numa terra onde nada acontece de inovador, onde tudo se repete sem cessar, obrigando os angustiados personagens a tentar iludir a tristeza e frustração. Esse texto traduz perfeitamente a essência do Absurdo, sendo Beckett uma pessoa que, desde jovem manifestava seu dom à rebeldia, além de ser um homem adepto à revolução dos costumes.
Escrita entre o período de outubro de 1948 e janeiro de 1949, após a Segunda Grande Guerra, a peça foi inicialmente incompreendida pelo público. Não agüentavam olhar dois atores representando os vagabundos Vladimir e Estragon que só sabiam falar que não podiam ir embora antes do Sr. Godot chegar. O próprio diretor Roger Blin, que a montou pela primeira vez na França, no mitológico Teatro Babilônia, confessou não tê-la entendido na primeira leitura.
Na peça aparecem mais dois personagens: Pozzo e Lucky. Lucky é um escravo de Pozzo, ele está numa coleira e é mandado, mas não é um cachorro, é um homem, e é mais inteligente que Pozzo. Os dois apenas passam por onde Vladimir e Estragon estavam esperando Godot. Porém, no outro dia Pozzo volta cego, e não se lembra de tê-los conhecido.
Esperando Godot é um dos textos teatrais mais instigantes e perturbadores já escritos. O mote, aparentemente banal e bobo, provou ao longo das décadas ser genial. Mas o que pode ser tão genial em uma peça em que se tem apenas quatro personagens, e cujo cenário apresenta só uma árvore em frangalhos? Nada, diria o leitor menos atento.
Ninguém é avisado de quem seja o Sr. Godot. Nem mesmo Vladimir e Estragon sabem ao certo quem é o tal visitante, mas o esperam com empenho. Mas quem é Godot? Todos querem imediatamente saber. Muitos supõem que a peça trata do desespero do homem diante da morte anunciada; outros delegam ao texto um caráter religioso, no qual os personagens estão, na verdade, à espera de uma divindade que virá salvá-los – Godot seria uma corruptela da palavra God (Deus em inglês).
Pozzo segura Lucky pela coleira
Editoria Teatro/Segunda Matéria
Entre o social e o surreal
Por Cris de Oliveira
Uma tendência teatral portadora de uma expressividade inovadora, o teatro do absurdo procurava utilizar elementos chocantes do ilógico, propondo uma reflexão a respeito do absurdo panorama político da Europa pós Segunda Guerra Mundial.
Encenação de “Esperando Godot”, de Samuel Beckett.

Samuel Beckett
A principal fonte de inspiração dos dramas absurdos era a burguesia ocidental, que, segundo os teóricos do Absurdo, se distanciava cada vez mais do mundo real, por causa de suas fantasias e ceticismo em relação às conseqüências desastrosas que causava ao resto da sociedade. Um dos autores de vanguarda do Teatro do Absurdo é Samuel Beckett autor do clássico Esperando Godot, e que ganhou o Prêmio Nobel em 1969. O Absurdo, assim como o Dadaísmo, promoveu a revolução na linguagem e na ideologia da sociedade, obtendo muitas críticas de um público que, apesar de proletário, consumia o idealismo burguês da época.
Eugene Ionesco
O termo "Teatro do Absurdo" foi criado pelo crítico norte-americano Martin Esslin, procurando agrupar sobre um mesmo conceito obras de dramaturgos com características bastante destoantes, mas que compartilhavam essa maneira "absurda" de abordar os temas em sua obra. O Teatro do Absurdo, porém, não foi uma escola, não havia uma filosofia coerente que os unificasse. Eugene Ionesco, um dos principais representantes dessa dramaturgia afirmaria que talvez preferisse designar seu trabalho como “teatro do ridículo”, ou “teatro da ridicularizarão”, reafirmando o caráter humorístico que permeia seu trabalho.
O teatro nonsense, ou o absolutamente sem-sentido é freqüentemente confundido com o absurdo, porém na essência eles divergem, pois o sem-sentido não possui uma gramática, isto é, não tem leis naturais de significação, ao passo que o absurdo é apenas visto como uma parte especial do que tem sentido, sendo por isso sinônimo de contra-senso. Sendo este tudo o que é contrário ao bom-senso, portanto, tudo o que imobiliza o senso comum.
Link: Leia a entrevista com a coordenadora do projeto “Espaço de Estudo e Criação Cênica”, Nanci de Freitas, sobre Teatro do Absurdo
Link: Conheça e assista a um trecho da peça precursora do Absurdo Esperando Godot
Link: Conheça as mais novas peças do gênero Absurdo
Entrevista com a professora de Artes Cênicas Nanci de Freitas
Nanci de Freitas é professora de Artes Cênicas do Instituto de Artes da Uerj, e coordenadora do projeto: “Espaço de Estudo e Criação Cênica”.
Por Cris de Oliveira
1) Qual a sua opinião sobre o Teatro do Absurdo?
NF: É uma tendência que foge à dramaturgia comum, mas é também uma denominação polêmica. Há muita controvérsia a respeito do Teatro do Absurdo, pois são vários autores muito diferentes, com estilos próprios, que foram agrupados sob a égide do absurdo, por falta de uma outra classificação mais adequada para cada um.
2) Mas esse teatro teve também um papel social. Você acha que esse papel vem sendo explorado pelo teatro atual?
NF: Sim, claro que teve. Acho que esse papel foi incorporado aos demais estilos teatrais. O teatro do absurdo se transformou em clássicos do teatro moderno como a peça Ubu Rei de Alfred Jarry e O Rinoceronte de Eugene Ionesco. O teatro contemporâneo trabalha muito com a desconstrução, e isso foi herança do absurdo. Desconstruir as coisas, mudar de lugar, para ver como funciona, para causar um estranhamento na platéia, e provocar uma reflexão. Em O Rinoceronte, por exemplo, os habitantes de uma cidade vão se transformando em rinocerontes, mas existe um personagem que se recusa a se tornar um rinoceronte, se recusa a ser infectado pela mediocridade, enquanto os outros transitam em paz se achando os seres mais lindos e inteligentes do mundo. Acho que o teatro moderno tem muito dessa noção, dessa postura da peça do Ionesco.
3) As atuais encenações das peças de Beckett e Ionesco ainda possuem a essência das originais?
NF: Bom, eu acho que elas vão ganhando sentido de acordo com o momento. Há várias interpretações dessas peças, e a forma como cada um a vê depende do contexto no qual se está inserido. Posso dizer que elas vão sendo renovadas.
4) Franz Kafka não faz parte do estilo absurdo de teatro, no entanto, seus personagens também vivem situações incompreensíveis. O que o distingue do teatro do absurdo?
NF: O teatro de Kafka tem características do absurdo, mas devemos entender que o teatro do absurdo não foi um movimento como foi o surrealismo e o dadaísmo, é apenas uma tendência teatral que ocorreu em um determinado momento. Além disso, o teatro do absurdo está associado à dramaturgia, aos dramaturgos, e Kafka foi um romancista. Mesmo assim, já vi teóricos o enquadrarem no teatro do absurdo. Houve várias tendências absurdas em todo o mundo, e mesmo muito antes do “surgimento” desse tipo de teatro. Aqui no Brasil, Oswald de Andrade na peça “A Morta”, já fazia teatro do absurdo. O gaúcho Qorpo Santo, em pleno século XIX, e que nunca saiu de sua província, é considerado o precursor do teatro do absurdo que foi nascer em meados do século XX na França. Então, você vê que foi uma tendência que foi surgindo, pipocando em vários lugares.
5) Quais as melhores peças atuais que possuem influência do Teatro do Absurdo?
NF: Acho que eu não saberia te dizer...O absurdo está disseminado de uma forma geral no teatro moderno, há uma polissemia absurda, não está mais só focada no texto. Mas acho que o Gerald Thomas faz bem esse estilo, ele trabalha muito com a desconstrução da cena nacional e da linguagem também.
6) Esse tipo de teatro nasceu em um contexto social em que a burguesia ocidental era o principal alvo de crítica. Hoje qual seria o maior absurdo das relações sociais?
NF: Os grandes paradoxos da sociedade de consumo e a mídia. Principalmente a mídia, pois temos aí uma sociedade que é controlada pela mídia, é o principal controle social que a gente tem hoje. A mídia é um absurdo! O teatro da vertigem já faz um pouco isso de contestar a cena social, como acontece em “Apocalipse 1,11”.
7) E para você? Qual seria a verdadeira função do teatro?
NF: A palavra teatro vem do grego ir para ver. Então, acho que é isso, a possibilidade de ter um contato direto, quase físico com a platéia. E nesse mundo virtual que a gente tem hoje, o teatro ainda continua sendo um lugar privilegiado. O impacto é maior, pois você está ali naquele exato momento em que tudo está acontecendo, o que possibilita uma maior reflexão, a crítica tem um maior impacto também. É maravilhoso!
8) Qual o estilo predominante no teatro brasileiro atual?
NF: No mercado brasileiro, do que temos 80% é comédia, principalmente a comédia de costumes. Comédia é o que mais atrai, sem dúvida, até mesmo pelas características do brasileiro, do nosso jeito de ser. Mas temos os clássicos musicais também, como “Ópera do malandro” e Carmem Miranda, e mais recentemente os importados. Um estilo que vem despontando é o teatro experimental.
9) Qual a contribuição do teatro do absurdo para o atual estilo do teatro brasileiro?
NF: A mistura de linguagem do teatro brasileiro é um pouco absurda. E na própria comédia de costumes, que é uma revisitação do besteirol dos anos 80, há muitas situações absurdas que surgiram a partir do estilo de teatro do absurdo.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Entrevista com Sonia Bibe Luyten (pesquisadora de quadrinhos)
Porque os quadrinhos japoneses fazem tanto sucesso no Brasil?
Havia uma falta de quadrinhos para jovens aqui no Brasil. E o mangá chegou aqui para ocupar esse espaço. Não há uma "invasão", como alguns dizem, a cadeira estava lá vazia!
Quando surgiu o seu interesse por mangás?
Eu sempre gostei de HQs, primeiro como leitora, depois como pesquisadora. Primeiramente, o cheguei aos mangás pela curiosidade ao tomar conta da grandiosidade daquele mercado. Eu achava aqueles desenhos fantásticos. Descobri que, justamente naquela época, na década de 60, o Japão vivia um boom da indústria editorial japonesa que coincidia com a ascensão da economia local, que tava florescendo. Depois, eu larguei os mangás por uns tempos, porque ninguém queria me orientar na minha monografia sobre quadrinhos japoneses. Mas para o meu doutoramento eu coloquei pé-firme.
O mangá é uma porta de entrada para cultura japonesa?
Sem sombras de dúvidas. O leitor de HQs européias, geralmente, não está interessado no pais de origem. Mas o leitor de mangás têm a preocupacao de estudar a língua e a cultura japonesa, para poder entender toda a simbologia, gestualidade tão presente naquelas histórias.
A produção editoral de mangás é muito concentrada em Tóquio?
As grandes editoras só estão em Tóquio. Estão surgindo várias editoras independentes em Osaka, causando dois pólos fortes e rivais. O que me impressiona é que o Japão tem um sistema de distribuição muito bom, o que é falho no Brasil. Mas os mangás fazem sucesso em todo o Japão, com uma produção praticamente 100% nacional.
O que acha dos quadrinhos nacionais que se espelham no mangá?
Tem gente que faz muita porcaria, mas tem gente que está pensando em conteúdo legal. Eu sou a favor de uma produção nacional, por que não, mas com conteúdo. E tudo isso começa com os fanzine. É o tubo de ensaio para poder chegar numa livraria ou banca. Mas não adianta competir com o Japão, Não adianta falar em Neo Tóquio, porque o Otomo já fez com Akira. Se você gosta do traço, quer manter o estilo, então faça isso para o público brasileiro. Isso tem naquele livro Mangá Tropical, foi uma tentativa legal de fazer algo em estilo mangá, com conteúdo brasileiro: enredos situados em cidades brasileiras, histórias brasileiras. Com bom enredo, ele tem caminho.
O que acha do recente interesse de Hollywood em adaptar mangás para o cinema, como Speed Racer e Dragon Ball?
Eu acho que é oportunismo. Eu gostava do Speed Racer e estou até curiosa para ver o filme. Mas acho que Hollywood se sentiu ameaçado com os mangás. "Se não dá para combate-los, vamos nos unir". Tem gente que nem sabe que Speed Racer é criação japonesa. Vai no cinema e pensa que é americano.
Quais histórias em quadrinhos você está lendo atualmente?
Eu leio de tudo um pouco, como pesquisadora, para ver o que está acontecendo. Não tenho preferências especificas, mas acontece de através de pesquisas conseguir aliar entretenimento. Recentemente, em uma revista japonesa sobre moda, li uma matéria sobre o mangá Nana. Desde então eu ando lendo esse mangá, é muito bom.
Os japoneses desenvolveram o seu próprio estilo de quadrinhos observando o que era feito principalmente nos Estados Unidos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Essa antropofagia ainda é percebida nos quadrinhos japonees?
Sim, os japoneses sempre se apropriaram das coisas. Vê-se isso na tecnologia, por exemplo. Eles não são de inventar, são de aperfeiçoar as coisas, e foi assim com as histórias em quadrinhos. Com a populariedade dos mangás no exterior, há artistas que viajam para a Europa e voltam com influências de lá.
Com o sucesso em todo o mundo, os quadrinhos produzidos no Japão sofreram alguma mudança?
Eu não sei até que pontos eles pensam no mercado de fora ao fazer quadrinhos, mas na hora que ficar assim começará a perder a graça.
É comum garotos lerem quadrinhos reservados para garotas e vice-versa no Japão, como pode ser visto no Brasil?
Sim, claro. Hoje já há até mulheres desenhistas, como as do grupo CLAMP, que passam a publicar em revistas masculinas.
domingo, 29 de junho de 2008
Editoria: Cinema
Crescimento do mercado cinematográfico brasileiro impulsiona a criação de novos cursos em Cinema.
Por Cristina Gusmão

O sucesso do longa-metragem "Tropa de Elite", do diretor José Padilha, premiado com o Urso de Ouro (melhor filme) no festival de Berlim é um dos exemplos do reconhecimento internacional do cinema brasileiro. Mas quem gosta de cinema não imagina as dificuldades dos cineastas e produtores, na realização de seus filmes. Além da falta de verbas, as produções cinematográficas brasileiras encontram grande dificuldade na falta de recursos para a realização de novos filmes. Apesar disso, o cinema brasileiro existe e demonstra capacidade de produção e criatividade. Grandes talentos, ótimos profissionais e excelentes histórias demonstram que o cinema brasileiro é muito rico em criatividade e faz sucesso dentro e fora do país.
Com a criação da Ancine (Agência Nacional de Cinema), no governo de Fernando Henrique Cardoso, e a lei do audiovisual, outorgada pelo ex-presidente Itamar Franco (1991-1992), houve uma retomada do cinema brasileiro. Desde 1993 o número de longas-metragens subiu para uma média de 20 produções por ano. Sucessos como Central do Brasil, Bicho de Sete Cabeças, Latitude Zero,Tropa de Elite entre outros, comprovam a existência de um reconhecimento internacional e um mercado externo favorável para os filmes nacionais.
Com todo esse avanço, especialistas afirmam que o Brasil tem grandes chances de se tornar um pólo de cinema. É evidente que não podemos fazer qualquer tipo de comparação com a indústria cinematográfica norte-americana, porém, na América Latina, ao lado da Argentina e do México, essa é uma possibilidade que começa a ser vislumbrada. Os inúmeros festivais e premiações que o Brasil têm participado, demonstram que o cinema brasileiro está caminhando para se tornar referência no mercado latino-americano.
De olho nesta ampliação do mercado cinematográfico brasileiro, cursos e universidades de todo o país estão investindo na formação em Cinema. Em São Paulo temos a FAAP - Fundação Armando Álvares Pentado; a Universidade Anhembi Morumbi; a Universidade Metodista de São Paulo; o CEUNSP – Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio, entre outros. Já no Rio de Janeiro,temos a Universidade Estácio de Sá, A UFF - Universidade Federal Fluminense e a PUC - Pontifícia Universidade Católica.
Em outros estados destacam-se: a FTC, na Bahia; a UNA - Centro Universitário, em Minas Gerais; a FAP - Faculdade de Artes do Paraná; a Unisul e a UFSC, em Santa Catarina; a Maurício de Nassau, em Pernanbuco e a UFPEL - Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul.
Algumas universidades já possuíam a graduação em cinema, outras implantaram cursos mais tecnológicos na área, como a Estácio de Sá, que recentemente criou os cursos de produção audiovisual, produção cênica e o curso de autor e roteirista. Segundo a Universidade, a indústria cinematográfica e audiovisual no Brasil se encontra em plena expansão e transformação. Torna-se, portanto, fundamental a formação de novos profissionais para atender à demanda e elevar o nível das produções no país.
Além dos cursos de graduação e politécnicos, algumas instituições também possuem cursos de pós-graduação em cinema. Estes têm por finalidade a especialização profissional, contribuindo para o progresso técnico-científico na área. Um exemplo é a Pós-graduação em Cinema Documentário da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Segundo a instituição, o curso combina a experiência dos professores do Centro de Pesquisa e Documentação de Histórica Contemporânea do Brasil (CPDOC) e de profissionais de cinema que, além de produzirem documentários, têm reflexão intelectual sobre o gênero. Em entrevista para o site da instituição, a aluna Sônia Dias Pereira fala sobre a importância da organização do raciocínio antes de partir para a realização do documentário. Segundo ela, o curso foi fundamental para desenvolver uma linearidade em sua observação da realidade e saber que olhar ela pode ter sobre esta mesma realidade.




